Amizade

Conhecemo-nos nos anos 50 em Torres Novas. Trabalhava numa fábrica e frequentava a tertúlia que me acolheu.  O António Graça era inteligente, discreto, bom conversador e acima de tudo um amigo leal.  

Não me lembro exactamente quando deixou de aparecer na tertulia: ingressou na clandestinidade ao serviço do PCP.

Voltamos a encontrar-nos em Lisboa no inicio dos anos 80 e a amizade foi rapidamente restabelecida, voltamos ao nosso convívio habitual.. Frequentava a minha casa e vivemos serões memoráveis de convívio alegre.

Quando se deu o 25 de Abril estava preso em Caxias e pertencia ao grupo dos presos mais torturados: uma dedicação ao PCP sem reservas.

Abril trouce-lhe uma vida atribulada e, ironicamente, viveu anos difíceis: tornou-se critico da direcção do PCP e não tardou a ser expulso. Uma, entre as muitas injustiças do chamado «colectivo» .

António Graça foi funcionário do PCP, entrou na clandestinidade, dedicou a sua vida à causa do PCP e foi mais além, doou ao PCP os poucos bens que possuía: a recompensa foi a expulsão e o ostracismo.

Amigos que o conheciam arranjaram-lhe emprego para poder sobreviver.

Faleceu permaturamente.

Tenho imensa saudade do seu convívio e da sua amizade que admirava. 


publicado por pimentaeouro às 00:56