Dia triste

  

 

Hoje estou triste, uma tristeza funda e antiga. Quando estou triste refugio-me em Torres Novas, num tempo que já não existe há muitos anos. Passeio pela pérgula do jardim e lembro o passado distante.

Vejo-te sorridente, com a alegria de viver no brilho dos teus olhos, bonita e elegante; a tua beleza não é imaginada, eras muito bonita. Recordo um passeio que demos, numa tarde de primavera, com duas ou três amigas tuas, ainda não namorávamos. Uma delas insinuou-se interessada em mim mas eu já te tinha escolhido e tu escolheste-me também.

Talvez te tenha pedido namoro no final desse passeio, não tenho a certeza. Lembro os beijos escondidos que trocamos, mel parco que a vida não voltou a dar-me, os beijos únicos do primeiro amor. Lembro-me dos quilómetros que percorria de noite para ir ao teu encontro, para um namoro ingénuo e puro: lembro-me de estar junto de ti, perto do teu corpo esbelto e nunca te ter faltado ao respeito. Namoros que hoje não existem. 

Namoro que teve um final triste que não merecíamos. Porque aconteceu um desencontro tão estúpido, Fernanda? Sinto-me culpado de ter sido tão inábil.

Dirijo-me para ti, para a imagem que só existe na minha imaginação, mas desapareces-te e volto para traz. Continuo a caminhar pela pérgula, para trás e para a frente, sem sentido, sinto emoções contraditórias que não consigo descrever.

O Sol começa a desaparecer no horizonte e outras recordações apoderam-se de mim.

Agora vejo a imagem da Julieta, sentada à minha espera. É outra história triste que terei de contar: não me faltam dias tristes.

Preciso de descansar.

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publicado por pimentaeouro às 09:16