Espectador

Foi mais espectador do que actor. O lado positivo desta passividade foi aprender a ver para lá da aparencia, a desenvolver espirito critico que procurava as causas e não as consequencias, a espreitar no Tempo a marcha do Homo e a sua origem animal, a prescutar no céu o percurso das galáxias e das estrelas que vemos numa marcha invertida: o que vemos hoje aconteceu à milhões de anos, é passado e às vezes já não existe.

Sem uma visão antropológica da nossa espécie não sabemos quem somos, o que hoje somos, como chegamos aqui, a uma civilização armadilhada e decadente, e sem uma visão geral  do Universo não compreendemos o significado efémero da vida. A Biologia e autras ciências explicam-nos a origem da vida no insignificante planeta que nos serve de casa e, principalmente, como a vida é frágil e em constante evolução.

Aprendi a escutar mais do que falar, a distinguir os falsos amigos, os oportunistas, os falso heróis, os revolucionários no café e machsitas retintos em casa.

Eu era melhor do que os outros? Nem pensar. A reflexão tambem se virava para dentro, para as minhas fraquesas e defeitos, para os meus erros, pagos uns, em divida alguns. Media a distância do meu passo e recusava ofertas acima da minha capacidade: isto poupou-me "viver acima das minhas possibilidades" como se diz hoje.

Alarguei o horizonte do meu pensamento e da minha consciência enquanto fazia o  percurso de caminhante solitário que sabe que o Santo Graal não existe.

As mulheres tiveram um papel contraditório na minha vida: mãe ausente, namoros falhados, um casamento infeliz, particularmente para a minha ex-mulher, segundo casamento que durou até hoje e onde houve conflitos, separações, e chama do amor que se foi extinguindo até ficar uma união assente em laços resistentes ( quantos casais coabitam sem amor?). Neste percurso acidentado criei uma imagem quase sacralizada da mulher, metade do homem, quantas vezes melhor do que ele. 

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publicado por pimentaeouro às 17:43