Espelho

  

Quotidianamente faço a barba e enfrento-me com o espelho. Desfilam pela imaginação as  pequenas misérias de uma existência, pouco mais que medíocre: abundam as acções e atitudes banais; as cobardias escondidas; os desejos e ímpetos abafados, censurados; a inteligência limitada e sem golpes de génio; a vida que escorreu pelos cantos dos meses e dos anos sem laivos de grandeza ou mérito.

 

        Mas afinal porque desejo ser melhor que os outros ? Que adiantaria isso ? Cada um vive na  medida da sua capacidade ... e dos jogos do acaso.

 


        Para que queremos transmitir aos outros uma imagem diferente – melhor - daquilo que realmente somos ? Porque escondemos a mediocridade e a banalidade ? Será que é necessário para o nosso ego, para a nossa necessidade interior de perfeição e para a nossa vontade de viver ?

 

        A realidade é que, na massa informe de milhões de seres humanos, apenas uma ínfima parcela consegue superar e elevar-se acima da média; os génios, os artistas, os cientistas   e intelectuais não são "a natureza humana", são apenas a sua diferença qualitativa... em doses infimamente reduzidas.

 

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publicado por pimentaeouro às 21:20