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Quando a realidade é dura criamos ilusões para podermos suportá-la, talvez seja o
nosso instinto de sobrevivência a empurrar para cima.
Quarenta e cinco anos, mais de metade da minha vida, estão prestes a desaparecer.
A mulher que amo já não existe, tem medo de mim, não quer ver-me e tem sobeja razões para isso. A decisão de pedir o seu internamento compulsivo foi a coisa que mais me custou fazer na vida, é uma violência, um horror.
Como eu gostava que existisse uma alternativa ao Júlio de Matos, um hospital de horrores, que o Estado admitisse o internamento compulsivo em qualquer outra instituição.
A esperança é a última coisa a morrer, vou admitir, com pouca convicção,
que a minha mulher terá alta sem pensar no divórcio, na minha saída de casa, etc.
Tenho vivido este drama completamente sozinho, a família não quer saber dela,
coisa que não consigo compreender.
Solidão é o que tenho pela frente e espero que a vida não se prolongue por muito
tempo: viver como?

 

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publicado por pimentaeouro às 23:17