Lágrimas amargas

  

 

A minha mulher quase não existe, a dor crónica desgasta-a, envelhece-a e limita as suas capacidades. A sua alegria e vontade de viver, o sorriso fácil, quase desapareceram, resta um rosto envelhecido, marcerado pelas rugas do sofrimento, amargura no olhar. 

A vida doméstica está virada de pernas para o ar, e não existe convívio social; as pessoas não gostam de lidar com tristezas.

Quando chora porque as dores são mais intensas, fico arrasado, humilhado. Não existe nada que eu possa fazer para minorar o seu sofrimento.

Ninguém está preparado para lidar com as doenças prolongadas  (são várias), e dolorosas: eu não sei lidar com este drama e sinto que tenho o inferno dentro de casa. Angustia-me pensar até quando serei capaz de carregar este fardo. E depois o que aontece?

publicado por pimentaeouro às 22:06