Naufrágio

A minha mulher começou a morrer. A doença de Alzheimer destrói-lhe progressivamente o cérebro, é uma doença imparável, e no caso dela, agrava-se com grande rapidez. Vive em sofrimento e já não consigo controlar os seus comportamentos que se tornam perigosos para a sua vida.

Teve que ser internada compulsivamente e, neste caso, a única solução que o Estado permite é o internamento numa instituição pública, no Júlio de Matos: partiu-me o coração e adiei a decisão até ao limite dos limites.

Vejo-a desaparecer, aquela mulher não é a mulher que amei durante mais de 40 anos. A milha tristeza e solidão nunca foi tão grande e tão dificil de sopurtar: a cada passo surgem-me recordações de acontecimentos que vivemos em comum. Que velhice tão dolorosa.

publicado por pimentaeouro às 23:33