O cálice mais amargo

 

A vida reservou-me para a velhice o cálice mais amargo, como se fosse o último castigo de um malfeitor. A juntar aos meus problemas de saúde, que são graves, a minha mulher é vítima de uma doença rara, neuropatia periférica.

Não procuramos remédio para uma cura que não existe, procuramos remédio, que não há, para minorar a dor crónica. Os poucos medicamento que há, têm falhado. Em último recurso tomou Durogesic, transdérmico, a morfina que é prescrita aos doentes terminais, e os efeitos secundários foram tão violentos que teve de deixar de tomá-lo. 

Só recentemente é que neurologistas e neurocirurgiões começaram a estudar os mecanismos cerebrais que provocam a dor crónica. Por enquanto há poucas novidades.

Agora a última esperança é experimentar canabis medicinal que é ilegal entre nós e difícil de obter.

Os problemas de saúde que tenho parecem-me insignificantes comparados com o sofrimento dela. Não encontro palavras para descrever o drama em que vivo, é a maior tristeza da minha vida: é uma vida sem esperança.

publicado por pimentaeouro às 14:41