Os que partiram

 

 

 

Em primeiro lugar Ana Maria Alves, intelectual brilhante, com obra publicada sobre o Movimento Operário, foi dissidente do PCP uns anos antes das vagas de dissidência arrastadas com a queda do Muro de Berlim: morreu precocemente com cancro.

Poucos anos depois seguiu-se o marido, António Manso Pinheiro, editor (Editorial Estampa); António Graça, herói anónimo de Abril; Victor Branco meu colega de trabalho, na Distribuidora de Livros Expresso; Manuel Candeias, meu colega de trabalho na CGTP-IN, viveu infeliz e morreu, cedo também, infeliz; Barros de Moura, muito inteligente, um cavalheiro no trato pessoal, deputado do PS e eurodeputado pelo mesmo partido, excluído do PS por não dar cobertura aos esquemas de Fátima Felgueiras; Caiano Pereira, colega nas lides sindicais, afável e amigo sincero, exilou-se e morreu em circunstâncias anormais em Moçambique; Fernando Canais Rocha, amigo sincero de muitos anos em Torres Novas.

Para mim foi um privilégio contar com a amisade e estima destes amigos, fui crescendo como homem na sua companhia. Esta é a homenagem que lhes devo há muito tempo.

Também a minha hora chegará, dentro em breve, e partirei para a estrela onde me aguardam.

publicado por pimentaeouro às 18:54