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Quarta-feira, 09 DE Julho DE 2014

Amizade

Querido amigo, esta noite sonhei contigo. Passeava numa rua e alguém chamou por ti. Fui logo ao teu encontro e cumprimentei-te com emoção. No sonho, as tuas feições eram diferentes mas tinhas o mesmo aspecto calmo.

Convidei-te para minha casa, como fiz muitas vezes. A minha casa também era diferente. Sentados à mesa perguntei-te se já tinhas emprego e respondes-te indefinidamente. Esta pergunta corresponde a um problema difícil na tua vida. Sais-te voluntariamente do PCP e do Comité Central depois de muitos anos de militância e clandestinidade:e uma trataram-te de uma maneira indigna.

Sonho muito curto, terminou aqui.

Faleces-te prematuramente há cerca de 15 anos. O teu ar modesto escondia a tua inteligência e uns óculos de lentes grossas escondiam um olhar irrequieto.

Conversador inato, era um prazer ouvir-te e raramente falavas da tua militância no P.C.P., da tua vida na clandestinidade e da prisão. Foste-te dos presos mais torturados e nada em ti fazia transparecer o sofrimento: foste-te um herói anónimo de Abril.

Conhecemo-nos em meados dos anos 50 do século passado na «tertulia» em Torres Novas, entras-te na clandestinidade e reencontrámo-nos depois de Abril: a amizade era a mesma e voltei a ter o privilégio de me relacionar contigo.

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publicado por pimentaeouro às 21:17
música: aleces-te
Sexta-feira, 07 DE Março DE 2014

Os que partiram

 

 

 

Em primeiro lugar Ana Maria Alves, intelectual brilhante, com obra publicada sobre o Movimento Operário, foi dissidente do PCP uns anos antes das vagas de dissidência arrastadas com a queda do Muro de Berlim: morreu precocemente com cancro.

Poucos anos depois seguiu-se o marido, António Manso Pinheiro, editor (Editorial Estampa); António Graça, herói anónimo de Abril; Victor Branco meu colega de trabalho, na Distribuidora de Livros Expresso; Manuel Candeias, meu colega de trabalho na CGTP-IN, viveu infeliz e morreu, cedo também, infeliz; Barros de Moura, muito inteligente, um cavalheiro no trato pessoal, deputado do PS e eurodeputado pelo mesmo partido, excluído do PS por não dar cobertura aos esquemas de Fátima Felgueiras; Caiano Pereira, colega nas lides sindicais, afável e amigo sincero, exilou-se e morreu em circunstâncias anormais em Moçambique; Fernando Canais Rocha, amigo sincero de muitos anos em Torres Novas.

Para mim foi um privilégio contar com a amisade e estima destes amigos, fui crescendo como homem na sua companhia. Esta é a homenagem que lhes devo há muito tempo.

Também a minha hora chegará, dentro em breve, e partirei para a estrela onde me aguardam.

publicado por pimentaeouro às 18:54
Sexta-feira, 31 DE Maio DE 2013

Amizade

Conhecemo-nos nos anos 50 em Torres Novas. Trabalhava numa fábrica e frequentava a tertúlia que me acolheu.  O António Graça era inteligente, discreto, bom conversador e acima de tudo um amigo leal.  

Não me lembro exactamente quando deixou de aparecer na tertulia: ingressou na clandestinidade ao serviço do PCP.

Voltamos a encontrar-nos em Lisboa no inicio dos anos 80 e a amizade foi rapidamente restabelecida, voltamos ao nosso convívio habitual.. Frequentava a minha casa e vivemos serões memoráveis de convívio alegre.

Quando se deu o 25 de Abril estava preso em Caxias e pertencia ao grupo dos presos mais torturados: uma dedicação ao PCP sem reservas.

Abril trouce-lhe uma vida atribulada e, ironicamente, viveu anos difíceis: tornou-se critico da direcção do PCP e não tardou a ser expulso. Uma, entre as muitas injustiças do chamado «colectivo» .

António Graça foi funcionário do PCP, entrou na clandestinidade, dedicou a sua vida à causa do PCP e foi mais além, doou ao PCP os poucos bens que possuía: a recompensa foi a expulsão e o ostracismo.

Amigos que o conheciam arranjaram-lhe emprego para poder sobreviver.

Faleceu permaturamente.

Tenho imensa saudade do seu convívio e da sua amizade que admirava. 


publicado por pimentaeouro às 00:56
Quinta-feira, 30 DE Maio DE 2013

Grupo de colegas

 

 

Esta fotografia foi tirada na Marinha Grande, em 1.966 ou 67, tem portanto cerca de 46 anos e eu, naquela altura, tinha 32 anos. Foram todos meus colegas de trabalho, eramos uma equipa coesa: dois técnicos fabris, empregados de escritório e de armazém. Talvez se perceba na fotografia que naquela época existia um espírito de camaradagem que desapareceu.

Nessa época a vida já me parecia complicada, sabia qual era a natureza repressiva do regime e o controlo que era exercido sobre os sindicatos corporativo, onde fui dirigente sindical. Talvez uma história para contar.



Ps. A digitalização não saiu perfeita e não consegui melhor.

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publicado por pimentaeouro às 21:29

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