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Terça-feira, 17 DE Maio DE 2016

Primavera

É Primavera agora, meu Amor!

O campo despe a veste de estamenha;

Não há árvore nenhuma que não tenha

O coração aberto, todo em flor!

 

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor

Da vida ... não há bem que nos não venha

Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!

Não há bem que não possa ser melhor!

 

Também despi meu triste burel pardo,

E agora cheiro a rosmaninho e a nardo

 E ando agora tonta, à tua espera ...

 

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos ...

 Parecem um rosal! Vem desprendê-los!

Meu Amor, meu Amor, é Primavera! ...

 

Frolbela Espanca

 

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publicado por pimentaeouro às 20:42
Segunda-feira, 07 DE Dezembro DE 2015

Rosa que fenece

Resultado de imagem para rosas

 

Já não conversamos juntos, já não rimos juntos, tão pouco discutimos, nem dormimos na mesma cama.

Duplamente infeliz, as perturbações delirantes arruínam lentamente a tua consciência, o teu sorriso alegre, a tua vontade de viver. Estás ausente, é uma pessoa que não conheço: eras a alma da casa, como gostavas de dizer, agora és uma rosa vermelha que fenece e eu contigo feneço também. Parte-me a alma!

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publicado por pimentaeouro às 17:41
Sábado, 17 DE Outubro DE 2015

 

As aplicações de flores, feitas com carinho,  que distribuístes pela casa, as decorações de espelhos e móveis, os pequenos bibelôs,  emocionam-me e recordam-me a tua alegria de viver, o prazer que tinhas em tratar de flores, a tua sensibilidade e gosto apurado. 

Deambulo pela casa - eras a alma da casa -, na casa agora só existe solidão e tristeza. A doença que te destrói o cérebro transforma-te noutra mulher que vai deixando de me conhecer: não merecemos este drama no final das nossas vidas.

publicado por pimentaeouro às 16:59
Domingo, 13 DE Setembro DE 2015

Naufrágio

A minha mulher começou a morrer. A doença de Alzheimer destrói-lhe progressivamente o cérebro, é uma doença imparável, e no caso dela, agrava-se com grande rapidez. Vive em sofrimento e já não consigo controlar os seus comportamentos que se tornam perigosos para a sua vida.

Teve que ser internada compulsivamente e, neste caso, a única solução que o Estado permite é o internamento numa instituição pública, no Júlio de Matos: partiu-me o coração e adiei a decisão até ao limite dos limites.

Vejo-a desaparecer, aquela mulher não é a mulher que amei durante mais de 40 anos. A milha tristeza e solidão nunca foi tão grande e tão dificil de sopurtar: a cada passo surgem-me recordações de acontecimentos que vivemos em comum. Que velhice tão dolorosa.

publicado por pimentaeouro às 23:33
Sexta-feira, 27 DE Março DE 2015

A vida que não vivemos

Ambos bebemos o cálice, ignorando que continha fel. Os meus olhos só viam os teus. Os teus olhos só viam os meus.

O teu sorriso era discreto, quase pudico, o meu era mais expansivo e descuidado – nunca mais foi. Amávamo-nos com a ingenuidade da mocidade, vivíamos o presente e o futuro sem sombras.

Hoje, há distância de décadas, passeio pelas ruas por onde andavas; sento-me no café onde ias ver televisão, na companhia da tua madrasta, segunda mãe, que te acompanhava discreta como se estivesse ausente.

Sento-me na mesa da esplanada, junto ao rio, em tardes quentes de verão, onde conversávamos. Relembro os diálogos despreocupados e a tua ternura contida, o teu gesto interrompido de fazer-me uma carícia na cara.

A felicidade, tocava-nos levemente, tudo era natural e simples. Chamavas-te Julieta, eu, simplesmente, João.

Quando surgis-te na janela, na hora combinada, rompes-te num choro compulsivo, que me deixou atónito, perplexo.

Que se passa? Que te aconteceu? Não percebia o que se estava a passar, o que fazer. O teu choro pareceu-me durar uma eternidade e dentro de mim só havia confusão e desespero.

Como o portão de um castelo, a janela fechou-se. Retirei-me destroçado, como um farrapo, como um trapo que qualquer um deita fora.

Ainda hoje existe na minha memória como a maior alegria e a maior tristeza que me aconteceu.

Ainda existirei na tua memória? Ainda és viva? O que eu não faria para saber.

 

 

 

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publicado por pimentaeouro às 12:20
Domingo, 09 DE Novembro DE 2014

Passado longinquo

 

 

Sou como o narrador do conto "O fogo  e as cinzas" de Manuel da Fonseca, um velho falhado. Como ele roo o osso da memória, das memórias que me assediam mesmo que eu não queira. Regresso aos tempos longínquos da minha mocidade vivida em Torres Novas. Os dias corriam suaves, sem preocupações, com esperanças que se desfizeram. Sem que eu soubesse porque, a vida queria castigar-me uma vez mais.

Eu era um estranho, recem-chegado e duas mulheres escolheram-me: ainda hoje não sei porque, o que acharam em mim, com uma figura meio triste?

As escolhas do coração não passam pelo filtro da razão. Amamos e é quanto basta, na mocidade não existem cálculos de patrimónios, de bens herdados ou a herdar. Isso, só acontece mais tarde e não acontece sempre, o século XIX já lá vai.

  O meu primeiro amor foi com a tua irmã  (lembras-te, António? ) e a sua recordação ficou gravada nos recantos sinuosos da  memória. Recordo com saudade a tua ternura, a alegria dos teus olhos, os beijos ternos que trocamos, quase roubados.

.Namoro curto, igual a todos os namoros daquela época e terminou com uma imposição que, inexperiente, não soube contornar. Seguidamente namorei com a Julieta Fradinho, natural de Silves, filha de um funcionário do Tribunal, que terminou brutalmente com a proibição categórica do pai, à boa maneira do século XIX.

Visto de fora, eu era um rebenta corações, na realidade, eu é que fiquei rebentado: para um jovem de vinte e poucos anos que se inicia   nos caminhos tortuosos do amor, dois insucessos seguidos deixam marcas fundas. Apesar disto, por estranho que pareça, tenho uma recordação muito grata – nos sentimentos não existe racionalidade - da Fernanda e da Julieta.

Não comentei estes insucessos com ninguém, lambi as feridas em solidão. Talvez por ter feito este recalcamento, agora tenho uma necessidade irreprimível de falar e escrever sobre eles.

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publicado por pimentaeouro às 19:33
Terça-feira, 28 DE Outubro DE 2014

Ainda está zangada?

FERNANDA SILVA.jpeg

 

Ainda estás zangada comigo, Fernanda? Estamos na idade do perdão e espero que consigas perdoar-me. Cometi um erro, de que me arrependo, naquela noite infausta que aconteceu à mais de 50 anos.

Em poucos minutos mudamos irremediavelmente o curso das nossas vidas. Provavelmente, até foi bom para ti não teres casado com um homem inseguro, complicado, cuja vida seguiu caminhos sinuosos que não são normais. Um homem que nunca teve ambições e que desperdiçou a vida atrás de ideais que nunca se concretizaram. Perdi o teu amor e, provavelmente, não tive outro igual: são perguntas a que não sabemos responder.

Ambos mudamos, já não és a rapariga bonita (não quero dizer que já não o seja) e alegre que conheci há mais de cinquenta anos, eu também mudei mas continuo magro e triste como me conheces-te.

 

É a memória que manda em nós, não somos nós que comandamos a memória.

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publicado por pimentaeouro às 22:27
Quinta-feira, 18 DE Setembro DE 2014

Um fantasma

 

FERNANDA SILVA.jpeg

 

 

Se há uma coisa certa no mundo é exactamente esta: o passado não voltará a acontecer de novo.

 

Anónimo

 

 

 

É sabido que a memória dos velhos se altera, perdem a memória do passado recente e recuperam a memória do passado remoto: quarenta anos, cinquenta e mais anos. A memória de longo prazo é a cinza de uma lareira apagada.

 

Ficam a viver uma situação intermédia entre presente e passado antigo. Ficam, quase, como fantasmas.

 

Sou um desse «fantasmas» e frequentemente regresso aos anos 55 e 60 do século passado, os anos da minha mocidade que não foi fácil nem primaveril.

 

Como a maioria dos portugueses vivi na pobreza envergonhada e triste, no conservadorismo serôdio do regime de Salazar. Cheguei a Torres Novas no ano de 1.954, como uma espécie de emigrante. Vinha de uma terra pobre para uma terra menos pobre e trazia na bagagem dois pesos, uma infância infeliz sem mãe e sem pai e uma adolescência triste.

 

Já não me lembro como aconteceu, acabei por ser integrado num grupo de jovens da terra, mais ou menos com a minha idade, com duas ou três excepções. Amizades sinceras, solidárias, os nossos encontros de café eram uma mistura de conversas soltas e de convívio lúdico. Para mim, estas amizades foram muito importantes.

 

Por obra do acaso – o grande fazedor de vidas – conheci a Fernanda. A minha memória não consegue lembrar quando nos conhecemos, talvez na primavera de 1.957 e deverias ter 17 ou 18 anos (?).

 

Alta, elegante, olhos e lábios sorridentes, eras extrovertida, alegre e afectuosa. Não é lisonja dizer que eras uma das raparigas mais bonitas de Torres Novas - pelo menos aos meus olhos – e não deveriam faltar-te pretendentes.

 

Porque foi eu o escolhido? A química dos sentimentos é indecifrável. Do  conhecimento ao namoro o caminho foi curto, na mocidade a atracção é forte, inadiável.

 

- Aceito o teu pedido de namoro – disseste, mas tens de pedir autorização ao meu pai.

 

Era uma vassalagem obrigatória, que eu cumpri e fui ter com o teu pai com o coração aos saltos e o estomago colado às costas. Em troca foi-me dado o «foral» com o calendário, o horário do namoro (limite máximo até às 23,00 horas), e… juizinho!

 

O António, irmão mais velho de Fernanda, fazia parte do círculo de amigos que eu frequentava e penso que esse conhecimento deve ter pesado favoravelmente na decisão paternal, uma vez que eu era um desconhecido no meio, era um desconhecido e um pé rapado.

 

Não temos várias vidas para viver – nem passadas, nem futuras, nem no céu – temos apenas várias hipóteses de vida que dependem de diversas circunstâncias, e apenas uma história de vida, aquela de vivemos.

 

Por três ou quatro vezes, a minha vida poderia ter seguido rumos diferentes, poderia ter tido outras histórias de vida. O acaso, não opções conscientes, decidiu o caminho que trilhei. 

 

O nosso namoro era, certamente, igual a todos os namoros daquela época: um ritual com regras estabelecidas e controladas pelos pais para cumprir uma finalidade, o casamento.

 

Foi para mim o primeiro namoro e tardio. Com ingenuidade e a inexperiência da mocidade, o nosso namoro era bordado de coisas simples, era a procura hesitante do conhecimento do outro, o despontar dos afectos, dos sentimentos. Foi um namoro sereno, sem discussões,  ou conflitos: é assim que a minha memória o recorda. Estarei enganado?

 

Namorávamos com a luz acesa, como se estivéssemos em exposição – estávamos em exposição! – e os beijos eram roubados, escondidos.

 

Namorávamos há cerca de três meses (?) quando aconteceu aquela noite nefasta que mudou as nossas vidas. Um Deus sádico, daqueles que se divertem com o infortúnio das mulheres e dos homens, empurrou-nos de uma ravina e ambos caímos.

 

Poucos minutos depois de começarmos a conversar sobre coisas pequenas do quotidiano, tomas-te um ar sério e tenso, pouco habitual em ti, e disseste - Preciso que me prometas uma coisa, que casas comigo.

 

Fiquei surpreendido com o pedido, que não esperava. - Mas porquê essa promessa - respondi meio confuso?

 

Insististe que tinha de  garantir-te  que casávamos. Tentei argumentar que o nosso namoro era recente, que precisávamos de nos conhecer melhor, etc., Esgotei argumentos sem qualquer sucesso. O que estava a acontecer? Parecia-me que a voz impositiva de outra pessoa falava através de ti, não eras tu quem falava.

 

A promessa teria sido muito fácil e não cumpri-la também, queimar tempo, deixar correu as coisas, etc. e quando me apetecesse romper o namoro. Não seria o primeiro, nem iria ser o último, mas esta hipótese, não me passou  pela cabeça.

 

Não tinha a mínima consciência que estava a pisar terreno sagrado e que apenas tinha uma opção: prometer o casamento, mesmo com reserva mental.

 

A tua firmeza aumentou e finalmente a sentença, - Se não prometes casar comigo, o namoro acaba já!

 

Porquê tudo ou nada, Fernanda? O que estava errado no namoro - em mim?  Era um impulso pouco reflectido da tua mocidade?

 

A minha confusão aumentou, a capacidade de argumentar diminuiu, era uma situação  incompreensível para mim. Ainda hoje não compreendo o que se passou naquela malfadada noite e, acredita, entregava a alma ao Diabo para saber.

 

Talvez nenhum de nós esperava  que o namoro acabasse naquela noite, mas foi isso, precisamente,  que aconteceu. Nenhum de nós mediu as consequências daquilo que disse: precipitámo-nos para a queda.

 

É extraordinária a facilidade com que um desencontro  pode acontecer e mudar a vida de duas pessoas.

 

Agimos os dois com  falta senso?  Mudámos o rumo das nossas vidas para sempre.

 

Que mais poderia eu desejar do que casar contigo e ter, finalmente, uma família, uma família que nunca tive?

 

Retirei-me meio atónito, os sentimentos em grande confusão, dorido, sentia-me magoado. Pela primeira vez a ternura feminina tinha entrado na minha vida e, de súbito, esfumava-se.

 

Não entendia o que se estava a passar connosco.

 

Seguiram-se dias, semanas, meses de confusão, de sentimentos contraditórios, lentamente, o tempo encarregou-se  de me conformar com a tua perda mas deixou  marcas: doeu Fernanda.

 

 Para ti também foi doloroso, se não prometia casar era porque não te amava. Sentiste-te desprezada, o amor fugia-te e o casamento também. Que coisa estúpida, uma separação que ambos não desejávamos. Fui tão néscio que nem isto me passou pela cabeça e fui também o único parvo que recusou fazer aquela promessa.

 

Uma asneira nunca vem só, e a seguir fiz outra maior: não voltei a procurar-te. Que absurdo. Afinal, que teria a perder? Não insisti, não lutei por um amor que desejava. Como pude ser tão insensato?!

 

Se,  (a vida não é feita de ses), se… não tivesse ocorrido aquela triste contingência teria casado, contigo, teríamos tido dois ou três filhos e teria ficado a viver em Torres Novas, mas esta história de vida não aconteceu, nunca  foi escrita.

 

A minha vida sempre oscilou entre dois eixos, a passividade e a intranquilidade e  tu talvez conseguisse serenar a minha inquietação.

 

A minha vida sentimental começava mal, seguiu-se outro insucesso com a Julieta – tu, a Julieta e eu, eramos três jovens que procuravam amar, mas como em tudo na vida uns conseguem, outros não.

 

 Porque motivo, há distância de mais de meio século, tenho necessidade desta conversa contigo? Talvez porque até hoje contínuas presente na minha memória, fizeste parte da minha vida, sem termos vivido em comum: num curto período as nossas vidas cruzaram-se:  o primeiro amor nunca se esquece, apenas se refugia nos recantos da memória.

 

A narrativa que acabo de fazer corresponde às recordações da minha memória (má),  não confio nela, posso estar errado. Tens certamente recordações da tua mocidade e deste namoro que serão diferentes das minhas (poderei estar a omitir factos de que não me lembro): a mocidade é um dos períodos mais importantes da nossa vida, por isso escrevo esta espécie de testamento sentimental: é na velhice que as recordações da mocidade são mais importantes.

 

 

 

- Fernanda, quero pedir-te um favor, perdoa a insensatez de um homem que desiludiu a tua esperança.  Foi neste desencontro absurdo que o rumo da minha vida mudou pela primeira vez.

 

A vida  nunca pára, e também não parou para nós: casas-te com o Arlindo, (conheço-o?) tiveste filho e netos, percorres-te a história da tua vida e, com toda a sinceridade, desejo que tenhas sido feliz com o teu marido e  a tua  família.

 

Eu, segui a minha errância e  solidão por terras e pessoas, uma vida que teve outras encruzilhadas,  histórias de vida que não se concretizaram.  Casei, foi feliz, foi infeliz. Se não vivi melhor foi porque não soube.

 

Se a doença da minha mulher permitir, espero encontrar-te brevemente: estamos na idade de perdoar os erros, os dos outros e os nossos, gostava que me recordasses como um homem que te amou e errou e não como alguém que te decepcionou.

 

 

 

 

 

P.S. A doença que martiriza e teu irmão António é uma crueldade da vida.

 

 

 

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publicado por pimentaeouro às 00:12
Sábado, 13 DE Setembro DE 2014

Não chores mais

 

 

Amor, não chores mais, cessa o teu pranto. Aproxima-te da janela para poder acariciar-te. Suavemente, passo os dedos pelos teus cabelos, beijo a teu testa, o teu rosto, não me atrevo a beijar os teus lábios, podia magoar-te. Fixo o meu olhar nos teus olhos e vejo no fundo deles a tua mágoa, o teu sofrimento, a tua humilhação e revolta.

Faço um esforço para que lágrimas teimosas não saiam dos meus olhos. Não posso abraçar-te, olhos indiscretos poderiam espiar-nos. Não tenho palavras, só gestos de carícia com que procuro aliviar o teu sofrimento.

Não sei quanto tempo já passou sobre a nossa impotência junto à janela da tua casa. A nossa juventude foi agredida, mutilada e ficámos marcados para o resto das nossas vidas.

Temos que separar-nos definitivamente, cada um de nós terá destinos separados e diferentes. Voltarei a ver-te alguma vez?

Até hoje, volvidos mais de cinquenta anos não voltamos a reencontra-nos. Perguntei-me muita vez se eu merecia o teu sofrimento, se não teria sido melhor nunca ter-te conhecido.

Pela minha parte, não seria perseguido pela recordação do teu pranto e não consigo adivinhar que recordações terás daquele namoro efémero e infausto.

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publicado por pimentaeouro às 00:15
Quarta-feira, 26 DE Março DE 2014

Sonhos

 

 Dizem que os sonhos são desejos não realizados.

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publicado por pimentaeouro às 22:18
Domingo, 16 DE Março DE 2014

Pranto

 

Aquele pranto convulsivo era a dor teu amor inesperadamente destruido pela força: estávamos proibidos de  amar, como uma espécie de condenação sem qualquer atenuante.

Tu estavas dez anos avançada para a época do nosso manoro e o teu pai considerou o nosso namoro uma afronta.

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publicado por pimentaeouro às 12:53
Domingo, 09 DE Março DE 2014

Recuperar a memória

 

 

Mais de metade da minha vida foi apagada na minha memória: é assim desde que me conheço. Esta doença indolor é trágica, foi contraída na infância e rouba-me uma grande parte da minha  vida.

Como nos conhecemos Fernanda?

Em que data da década de cinquenta, quantos anos tinhas? 

Entre o conhecimento e o namoro o tempo foi curto?

Sendo praticamente um desconhecido e um pé rapado, porque fui escolhido? (talvez não devesse fazer esta pergunta porque a química do amor é quântica).

E agora a dúvida que me atormenta, porque aquele tudo ou nada, pegar ou largar? (para mal dos meus pegados não soube tornear o problema. Foi um dos maiores erros da minha vida.)

A segunda vida dos velhos é recordar a mocidade e eu só tenho fragmentos dela.

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publicado por pimentaeouro às 22:08
Terça-feira, 31 DE Dezembro DE 2013

Despedida #2

 

 

 

 

Também quero despedir-me de ti, amor. Sinto que os meus dias já são poucos e quero que saibas que ainda te amo.

 

O nosso amor foi o infeliz encontro de duas pessoas que não poderam amar-se, foste proibida de o fazer como nos romances de Camilo: um golpe fundo no teu coração.

 

Lembras-te? Tivemos dois namoros: o primeiro, mudo, sem palavras, só os nossos olhos falavam e queriam que nos conhecêssemos, que nos encontrássemos, um sonho a dois; o segundo foi o drama que não esperavas que pudesse acontecer, que te foi imposto.

 

Tiveste o pranto dos dramas, do drama que  estava a ferir o teu coração.

 

Está escrito não sei onde que não voltarei a ver-te mas até ao final dos meus dias, a minha memória guardará, com muita saúdade, a recordação do nosso amor.

 

 

 

 

 

 

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publicado por pimentaeouro às 19:24
Segunda-feira, 30 DE Dezembro DE 2013

Perdigão

 

Perdigão perdeu a pena

Não há mal que lhe não venha.

 

Perdigão que o pensamento

Subiu a um alto lugar,

Perde a pena do voar,

Ganha a pena do tormento.

Não tem no ar nem no vento

Asas com que se sustenha:

Não há mal que lhe não venha.

 

Quis voar a u~a alta torre,

Mas achou-se desasado;

E, vendo-se depenado,

De puro penado morre.

Se a queixumes se socorre,

Lança no fogo mais lenha:

Não há mal que lhe não venha.

 

                  Luís de Camões

 

Fui Perdigão mas nunca em pensamento subi a um alto lugar. Fui o acaso da vida que me colocou no teu caminho. Naquela distante época eu não sabia que existiam classes sociais, eras «filha de família» (classe média) e eu não pertencia a classe nenhuma, as classes tem margens mal defenidas, para baixo e para cima, e eu apenas estava acima da pobreza, num limbo mal defenido.

Apesar disto decidis-te com o coração, esqueces-te a razão e pagas-te um preço elevado.

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publicado por pimentaeouro às 01:05
Sábado, 28 DE Dezembro DE 2013

Despedida

  

Adeus querida, contra a minha vontade não poderei voltar a ver-te e tinha tanto para te contar. Também não poderás receber o meu «testamento sentimental» que gostava que lesses.

Se,  (a vida não é feita de ses), se… não tivesse ocorrido aquela triste contingência teria casado, contigo, teríamos tido  filhos e teria ficado a viver em Torres Novas. O teu amor poderia ter serenado a minha intranquilidade e errância.

Esta história de vida não aconteceu, nunca  foi escrita e eu continuei errante.

Um Deus perverso não permitiu que continuasse a amar-te e também não quer que te veja, todavia, o nosso amor perdurará na minha memória com uma grande saudade até ao último dos meus dias.

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publicado por pimentaeouro às 12:06

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