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Sábado, 06 DE Dezembro DE 2014

Fizeste-me muita falta

 

 

O meu irmão mais novo, o unico que tive, faleceu com cinco ou seis anos de idade. Só soube o seu falecimento passados alguns anos e nunca soube  a causa da sua morte.

Apenas estivemos juntos uma ou duas vezes. Era alegre como um passaro, era o Sol. Com a sua morte fiquei mais pobre e com mais solidão e a minha mãe, que já me tinha perdido, ficou mais infeliz . A história é mais complicada do que aqui estou a contar, é tudo, muito pouco, o que consigo escrever.

Nunca tive fotografias de família e minhas só meia duzia. Agora fazem-me mais falta, preciso  ver com mais nítidez as  suas feições, torná-las mais reais e sentir a sua presença.

Sei que voas sobre um campo de girações, talvez à minha espera. Quem sabe?

publicado por pimentaeouro às 23:28
Terça-feira, 13 DE Maio DE 2014

O cálice mais amargo

 

A vida reservou-me para a velhice o cálice mais amargo, como se fosse o último castigo de um malfeitor. A juntar aos meus problemas de saúde, que são graves, a minha mulher é vítima de uma doença rara, neuropatia periférica.

Não procuramos remédio para uma cura que não existe, procuramos remédio, que não há, para minorar a dor crónica. Os poucos medicamento que há, têm falhado. Em último recurso tomou Durogesic, transdérmico, a morfina que é prescrita aos doentes terminais, e os efeitos secundários foram tão violentos que teve de deixar de tomá-lo. 

Só recentemente é que neurologistas e neurocirurgiões começaram a estudar os mecanismos cerebrais que provocam a dor crónica. Por enquanto há poucas novidades.

Agora a última esperança é experimentar canabis medicinal que é ilegal entre nós e difícil de obter.

Os problemas de saúde que tenho parecem-me insignificantes comparados com o sofrimento dela. Não encontro palavras para descrever o drama em que vivo, é a maior tristeza da minha vida: é uma vida sem esperança.

publicado por pimentaeouro às 14:41
Terça-feira, 11 DE Junho DE 2013

Ver para crer

A minha cabeça é um caos de emoções, sentimentos, confusão. A semana passada foi uma maratona entre médicos, hospitais, análises clinicas, exames, etc.. Uma TAC aos pulmões, que a minha mulher fez, indicia a hipótese de uma neoplasia no pulmão esquerdo: foi uma tempestade, pensa-se no pior.

Tento não me deixar dominar pelo pessimismo (não é fácil) e animar a minha mulher. Ela sabe, e eu também, que o cancro no pulmão é dos mais agressivos e que a cirurgia têm uma taxa de sucesso limitada. 

O exame derradeiro, uma broncoescopia com biopsia e recolha liquido só tem o relatório no dia 17 ou 18. Duas semanas de expectativa, ansiedade, confusão.

Agarro-me ao ver para crer da minha avó, não passa de um refugio, de uma recusa em admitir o pior.

publicado por pimentaeouro às 13:21
Terça-feira, 12 DE Fevereiro DE 2013

Sofrimento

 

 

As atribulações que passei comparadas com o sofrimento físico da minha mulher ( dor neuropática permanente ) são uma insignificância: vivemos no inferno.

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publicado por pimentaeouro às 20:21
Domingo, 11 DE Novembro DE 2012

Genese #3

 

 

Não me lembro quantas vezes - poucas - brinquei com o meu irnão, mais novo do que eu. Era a alegria e o Sol, a alegria de qualquer famíla.

A última vez que brincamos foi em Faro, viviamos separados. Terá falecido com 5 ou 6 anos apenas: a morte enganou-se estupidamente e levou-o em meu lugar.

Principalmente agora, que estou velho, a sua presença ajudar-me-ia a passar para a barca de Caronte.

publicado por pimentaeouro às 00:46

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