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Sábado, 09 DE Abril DE 2016

Lembras-te Julieta? #2

 

Regressas-te a Portugal para te refugiares na serra de Sintra, da Sintra dos teus enleios.

Sei que não voltarei a ver-te, que morrerei sem realizar esse desejo. Recordo com saudade os passeios que demos neste jardim vão decorridos cerca de 60 anos.

Naquela época éramos dois jovens que desejávamos amar-nos num namoro de final muito triste: não merecia-nos que a vida fosse para nós uma madrasta vil, cruel.

A tua memória partirá comigo para uma viagem sem tempo.

 

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publicado por pimentaeouro às 21:08
Terça-feira, 04 DE Junho DE 2013

Dia triste

  

 

Hoje estou triste, uma tristeza funda e antiga. Quando estou triste refugio-me em Torres Novas, num tempo que já não existe há muitos anos. Passeio pela pérgula do jardim e lembro o passado distante.

Vejo-te sorridente, com a alegria de viver no brilho dos teus olhos, bonita e elegante; a tua beleza não é imaginada, eras muito bonita. Recordo um passeio que demos, numa tarde de primavera, com duas ou três amigas tuas, ainda não namorávamos. Uma delas insinuou-se interessada em mim mas eu já te tinha escolhido e tu escolheste-me também.

Talvez te tenha pedido namoro no final desse passeio, não tenho a certeza. Lembro os beijos escondidos que trocamos, mel parco que a vida não voltou a dar-me, os beijos únicos do primeiro amor. Lembro-me dos quilómetros que percorria de noite para ir ao teu encontro, para um namoro ingénuo e puro: lembro-me de estar junto de ti, perto do teu corpo esbelto e nunca te ter faltado ao respeito. Namoros que hoje não existem. 

Namoro que teve um final triste que não merecíamos. Porque aconteceu um desencontro tão estúpido, Fernanda? Sinto-me culpado de ter sido tão inábil.

Dirijo-me para ti, para a imagem que só existe na minha imaginação, mas desapareces-te e volto para traz. Continuo a caminhar pela pérgula, para trás e para a frente, sem sentido, sinto emoções contraditórias que não consigo descrever.

O Sol começa a desaparecer no horizonte e outras recordações apoderam-se de mim.

Agora vejo a imagem da Julieta, sentada à minha espera. É outra história triste que terei de contar: não me faltam dias tristes.

Preciso de descansar.

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publicado por pimentaeouro às 09:16
Sexta-feira, 31 DE Maio DE 2013

Amizade

Conhecemo-nos nos anos 50 em Torres Novas. Trabalhava numa fábrica e frequentava a tertúlia que me acolheu.  O António Graça era inteligente, discreto, bom conversador e acima de tudo um amigo leal.  

Não me lembro exactamente quando deixou de aparecer na tertulia: ingressou na clandestinidade ao serviço do PCP.

Voltamos a encontrar-nos em Lisboa no inicio dos anos 80 e a amizade foi rapidamente restabelecida, voltamos ao nosso convívio habitual.. Frequentava a minha casa e vivemos serões memoráveis de convívio alegre.

Quando se deu o 25 de Abril estava preso em Caxias e pertencia ao grupo dos presos mais torturados: uma dedicação ao PCP sem reservas.

Abril trouce-lhe uma vida atribulada e, ironicamente, viveu anos difíceis: tornou-se critico da direcção do PCP e não tardou a ser expulso. Uma, entre as muitas injustiças do chamado «colectivo» .

António Graça foi funcionário do PCP, entrou na clandestinidade, dedicou a sua vida à causa do PCP e foi mais além, doou ao PCP os poucos bens que possuía: a recompensa foi a expulsão e o ostracismo.

Amigos que o conheciam arranjaram-lhe emprego para poder sobreviver.

Faleceu permaturamente.

Tenho imensa saudade do seu convívio e da sua amizade que admirava. 


publicado por pimentaeouro às 00:56
Quinta-feira, 30 DE Maio DE 2013

Saúdade

 

  

Esta fotografia remonta ao final dos anos 50 do século passado. É a praça 5 de Outubro como eu a conheci na minha mocidade. Recordo, principalmente, as noites quentes de verão e as conversas com os meus amigos.  Conversas de jovens despreocupados, todos celibatários, com a alegria da mocidade, sobre o que acontecia na vida de cada um, sobre cinema, o cineclube,  o que os jornais censurados diziam, talvez alguma fofoquice da vida alheia, etc.

Daqueles amigos, alguns já faleceram: o António Graça, torturado pela Pide, que dedicou a vida       à causa que achava justa, o Fernando Canais, modesto, amigo sincero e contente com a vida, o Gonçalves, deficiente, que trabalhava na pequena loja do Simões, e outros que a memória não alcança.

Recordo, acima de tudo, os meus passeios solitários, acompanhado pela tristeza, de dois amores fracassados,   e velha companhia.  Paradoxalmente recordo com nostalgia os insucessos que me fizeram sofrer.

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publicado por pimentaeouro às 18:47
Quarta-feira, 08 DE Maio DE 2013

Dói

 

 


A morte não me causa medo nem angustia, aguardo que Ela venha e me leve. Os meus ascendentes já faleceram todos. Recordo em primeiro lugar a minha mãe, uma mulher infeliz que me deixou a marca da sua tristeza; recordo o meu avó Barroso, um homem inteligente, culto e ateu, republicano convicto; recordo a minha tia Maria do Carmo e o marido Joaquim Soeiro, um lobo do mar anónimo que gostavam de mim, e o meu tio João Barroso que me ajudou; recordo todos com muita saudade.

Recordo amigos da minha idade, aproximadamente, já falecidos; em primeiro lugar Fernando Canais Rocha, um homem tranquilo, contente com a vida e um amigo sincero; Bartolomeu Dias, colega e trabalho e que me ajudou na adolescência.

Recordo também amigos que faleceram precocemente; António Graça, inteligente, conversador incansável, barbaramente torturado pela PIDE, Caiano Pereira, companheiro nas lides sindicais, simpático para toda a gente, Manuel Candeias, colega de trabalho, um homem infeliz que vivia um amor ausente. Perdi todos  e também partes de mim; a minha solidão aumentou.

A minha partida não demorará e quando ocorrer irei para uma estrela fazer companhia a todos os meus amigos, numa divertida tertúlia, retomar as nossas conversas alegres e despreocupados de quando tínhamos vinte anos.

publicado por pimentaeouro às 14:04
Terça-feira, 26 DE Fevereiro DE 2013

Modelo dos anos 50

 

  

Foi o meu primeiro transporte motorizado e deu alguma alegria à minha mocidade. Uma pérola da engenharia automóvel reeditada nos dias de hoje com acessórios modernizados mas basicamente o mesmo modelo.

Cheguei a viajar de Torres Novas a Lisboa quando o tansito na velha nacional 1 era deminuto. 

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publicado por pimentaeouro às 22:29
Sexta-feira, 15 DE Fevereiro DE 2013

Revivendo

 

 

Castelo de Torres Novas e rio Almonda.

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publicado por pimentaeouro às 21:39

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