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Sábado, 04 DE Fevereiro DE 2017

Envelhecer

Eu e a velhice, frente a frente. Lentamente, mas com persistência, a decadência apodera-se de mim: aumentam as disfunções,  órgãos que já não conseguem desempenhar eficazmente as suas tarefas ( audição, vista e outros).

Mais velho, mais limitado: a energia, a vontade, a esperança esmorecem.

A vida vai ficando distante.

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publicado por pimentaeouro às 19:16
Quarta-feira, 06 DE Janeiro DE 2016

O passado nunca volta

 

Devo ser feito de uma mistura de genes de longa douração e de outros avariados. Surpreende-me como cheguei aos 80 anos com saúde débil e fadiga que nunca me abandomaram.

Passividade e inqueitação foram os dois polos permanentes na minha vida; um vida tecida de contradições, de oportunidades perdidas, mais espectador do que acontecia à minha volta do que actor.

Vivo dividido entre presente e as recordações do passado longinquo com mais de sessenta anos. A idade e o pesadelo que me rodeiam empurram-me para a mocidade.

Neste passado longinquo destacam-se dois insucessos amorosos que doeram e marcaram a minha vida: Fernanda e Julieta que ficaram gravadas na minha memória.

Sinto uma vontade irreprimivel de voltar a vê-las como se ainda fossemos jovens.

 

 

 

 

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publicado por pimentaeouro às 12:46
Sexta-feira, 04 DE Dezembro DE 2015

Envelhecer

 Resultado de imagem para velhice triste

 

O corpo degrada-se mas cabeça mantem-se lúcida. Por quanto tempo?

 

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publicado por pimentaeouro às 23:47
Sábado, 17 DE Outubro DE 2015

 

As aplicações de flores, feitas com carinho,  que distribuístes pela casa, as decorações de espelhos e móveis, os pequenos bibelôs,  emocionam-me e recordam-me a tua alegria de viver, o prazer que tinhas em tratar de flores, a tua sensibilidade e gosto apurado. 

Deambulo pela casa - eras a alma da casa -, na casa agora só existe solidão e tristeza. A doença que te destrói o cérebro transforma-te noutra mulher que vai deixando de me conhecer: não merecemos este drama no final das nossas vidas.

publicado por pimentaeouro às 16:59
Domingo, 13 DE Setembro DE 2015

Naufrágio

A minha mulher começou a morrer. A doença de Alzheimer destrói-lhe progressivamente o cérebro, é uma doença imparável, e no caso dela, agrava-se com grande rapidez. Vive em sofrimento e já não consigo controlar os seus comportamentos que se tornam perigosos para a sua vida.

Teve que ser internada compulsivamente e, neste caso, a única solução que o Estado permite é o internamento numa instituição pública, no Júlio de Matos: partiu-me o coração e adiei a decisão até ao limite dos limites.

Vejo-a desaparecer, aquela mulher não é a mulher que amei durante mais de 40 anos. A milha tristeza e solidão nunca foi tão grande e tão dificil de sopurtar: a cada passo surgem-me recordações de acontecimentos que vivemos em comum. Que velhice tão dolorosa.

publicado por pimentaeouro às 23:33
Sábado, 05 DE Setembro DE 2015

Maldito Alzeimer

 Resultado de imagem para tristeza profunda

 

A doença de Alzhimer provoca perda de memória, da consciência e, por fim a morte. Os medicamntos para a combater retardam a evolução da doença durante 9 a 12 meses apenas, depois é o abismo, o nada: é tudo quanto a medicina tem e é quase nada.

A minha mulher está a caminhar para o abismo, já não é a mulher que conheci durante mais de 40 anos. É o maior desgosto da minha vida e só me apetece chorar. Aos 80 anos é a minha descida ao inferno. É com esta grande mágua e tristeza que irei viver o resto da minha vida.

publicado por pimentaeouro às 18:50
Terça-feira, 14 DE Julho DE 2015

Tristeza #3

CHUVA.jpeg

 

 

A minha infeliz mulher está destruída pela doença. Os olhos brilhantes agora estão tristes, o sorriso aberto e fácil desapareceu, a alegria de viver morreu. Agora rugas fincadas marcam o seu rosto: as faces estão maceradas pelo sofrimento.

A dor crónica neuropática destrói-a, adormece exausta pela dor, tamanho sofrimento tem paralelo nos doentes terminais: não é humano, é horrível, é o inferno. A tudo isto, acrescenta-se a marcha inexorável da síndrome de Alzaymer. Provavelmente, a perda progressiva da consciência diminuirá a dor.

Na velhice sou a testemunha impotente desta tragédia, testemunha solitária sem ninguém com que partilhar a minha dor: nunca imaginei o fim que a vida me reservava. Que vontade de viver me restará neste terramoto

 

publicado por pimentaeouro às 23:27
Domingo, 05 DE Abril DE 2015

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Fadiga e dor. Muito cansaço e muitas dores, maldita coluna e maldito esqueleto, não matam mas torturam-me todos os dias e a cada dia que passa as dores doem mais, tenho menos animo para as suportar.

É o que tenho de mais certo na vida até morrer, este sofrimento invisível. Esperança? Apenas que a fadiga diminua e que as dores sejam um pouco mais sofríveis nos poucos anos que me restam. Talvez, talvez aconteça.

É o que resta de uma vida? Pouco mais será. Vivo só. Sempre, mesmo que estejam muitas ou poucas pessoas à minha volta. Somos um deserto de grãos de areia que não se ligam.

publicado por pimentaeouro às 17:05
Sexta-feira, 23 DE Janeiro DE 2015

Dor

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A vida é mãe e também madrasta muitas vezes e guardou-me a taça mais amarga para a velhice. Antes queria veneno letal. A minha mulher tem o sofrimento  e a dor - dor crónica -  estampados no rosto. Perdeu a vivacidade e a alegria que sempre lhe conheci: os olhos estão tristes, os lábios deixaram de sorrir.

Está quase acamada  a dor não cessa de aumentar e a minha tristeza também. Dante não conheceu este inferno e eu dava tudo, a pouca vida que me resta, para resgatá-la de um sofrimento que não tem cura. Beijo meigamente a sua testa e murmuro "é para disfarçar a minha tristeza e a minha vontade de chorar".

O meu animo desfalece e tenho de encontrar força, não sei onde, para tentar minorar o seu sofrimento.

publicado por pimentaeouro às 22:10
Domingo, 09 DE Novembro DE 2014

Passado longinquo

 

 

Sou como o narrador do conto "O fogo  e as cinzas" de Manuel da Fonseca, um velho falhado. Como ele roo o osso da memória, das memórias que me assediam mesmo que eu não queira. Regresso aos tempos longínquos da minha mocidade vivida em Torres Novas. Os dias corriam suaves, sem preocupações, com esperanças que se desfizeram. Sem que eu soubesse porque, a vida queria castigar-me uma vez mais.

Eu era um estranho, recem-chegado e duas mulheres escolheram-me: ainda hoje não sei porque, o que acharam em mim, com uma figura meio triste?

As escolhas do coração não passam pelo filtro da razão. Amamos e é quanto basta, na mocidade não existem cálculos de patrimónios, de bens herdados ou a herdar. Isso, só acontece mais tarde e não acontece sempre, o século XIX já lá vai.

  O meu primeiro amor foi com a tua irmã  (lembras-te, António? ) e a sua recordação ficou gravada nos recantos sinuosos da  memória. Recordo com saudade a tua ternura, a alegria dos teus olhos, os beijos ternos que trocamos, quase roubados.

.Namoro curto, igual a todos os namoros daquela época e terminou com uma imposição que, inexperiente, não soube contornar. Seguidamente namorei com a Julieta Fradinho, natural de Silves, filha de um funcionário do Tribunal, que terminou brutalmente com a proibição categórica do pai, à boa maneira do século XIX.

Visto de fora, eu era um rebenta corações, na realidade, eu é que fiquei rebentado: para um jovem de vinte e poucos anos que se inicia   nos caminhos tortuosos do amor, dois insucessos seguidos deixam marcas fundas. Apesar disto, por estranho que pareça, tenho uma recordação muito grata – nos sentimentos não existe racionalidade - da Fernanda e da Julieta.

Não comentei estes insucessos com ninguém, lambi as feridas em solidão. Talvez por ter feito este recalcamento, agora tenho uma necessidade irreprimível de falar e escrever sobre eles.

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publicado por pimentaeouro às 19:33
Domingo, 12 DE Outubro DE 2014

Envelhecendo

tristeza.jpg

  

Vejo menos, oiço menos, canso-me mais a andar, tenho mais fadiga. Tenho menos capacidade de concentração, menos vontade de escrever. Não adianta continuar, são tudo privilégios da velhice... em plano inclinado.

Visito mais o passado, o meu percurso, a minha história de vida. Ao contrário do que muitos afirmam, se pudesse viver duas vezes, varia muita coisa de forma diferente. Quando começamos a aprender estamos a chegar ao fim.

 

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publicado por pimentaeouro às 12:33
Quarta-feira, 10 DE Setembro DE 2014

Velhos

 

 

 

Velhos são os trapos e os humanos também: envelhecemos e morremos para que a espécie possa sobreviver, até um dia.

Como consideramos o envelhecimento coisa que acontece algures no futuro, criamos mitos acerca dele.

Quando me reformei também tinha alguns mitos que o envelhecimento foi desmontando. A imagem do reformado risonho, saudável a brincar com os netos corresponde a uma minoria de contemplados.

Todos conhecemos os sinais exteriores da velhice: pele enrugada, músculos flácidos, articulações enferrujadas, distracções, perda de memória, etc., mas as transformações mais profundas e que, em parte, originam aquelas escapam-nos; alterações hormonais – principalmente nas mulheres – e do metabolismo. No velhice são fundamentais dois bens preciosos: saúde e ginastica mental, parar a cabeça é pior do que parar exercícios físicos.

O humor, a diminuição da vontade e da energia, passam por aqui. A memória também se altera, diminui a memória de curto prazo e aumenta, de forma significativa a memória de longo prazo. Não mudamos de “ser”, mudamos de personalidade e alguns traços de carácter, bons ou maus, tornam-se mais evidentes.

Ninguém envelhece de forma igual à dos outros, existem ritmos de envelhecimento e formas diferentes de aceitar as derradeiras mudanças. De tudo o que consegui resumir tiro uma conclusão, não é romântico envelhecer.   

 

publicado por pimentaeouro às 21:36
Sábado, 26 DE Julho DE 2014

Velhos muito velhos

 

 

Os 79 já passaram. O relógio da vida iniciou a contagem decrescente para a faixa dos 80 que, segundo os demógrafos é a idade dos velhos muito velhos.

É a idade, mais ano menos ano, da decadência, das demências, das doenças do cérebro que podem ir até a perda da consciência. Uma minoria de privilegiados consegue escapar a este calvário.

Pela parte que me toca, quero celebrar um pacto do o Diabo, Ele leva-me quando quiser mas deixa-me lúcido até à data da minha partida: quero ir recordando o meu percurso de vida, os meus erros, os afectos tardios, encontros e desencontros, as mulheres, poucas que amei, os amigos.

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publicado por pimentaeouro às 17:27
Quarta-feira, 09 DE Julho DE 2014

Fadiga

A fadiga natural da velhice conjugada com a fadiga causada pelos medicamentos reduzem a metade o tempo de vida que me resta.

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publicado por pimentaeouro às 00:57
Domingo, 02 DE Março DE 2014

Erros passados

 

 

Agora que estou velho, e nada pode ser emendado, é que compreendo o significado dos erros que pratiquei.

Não posso viver duas vezes e viver de outra forma, com outros erros. Tudo está consumado e perdido no tempo.

Desencontros que poderiam ter-me trazido amor, não aconteceram, erros meus que maguaram algumas mulheres podiam ter sido evitados.

A vida foi consumida em pequenos nadas, num quotidiano mediocre, mas só apredemos a viver quando já é tarde. Salvou-se o que aprendi com a vida mas, no fundo, foi pouca coisa.

Agora, é apenas a memória que umas vezes me entristece e que outras vezes me alegra: a cinza da lareira que se extingue.

Que mais poderia ter sido eu, só, no caos da vida?

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publicado por pimentaeouro às 21:04

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