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Quarta-feira, 19 DE Fevereiro DE 2014

Mês horribile

 

 

Entre cá e lá, ser e não ser, acordei numa cama de hospital, ou melhor comecei a regressar. Demorou umas horas até estar, de facto acordado. Podia ter sido o fim, a entrada no nada, mas não foi. O xeque-mate esteve próximo mas mais uma vez Ela não quis. Até à próxima. 

 

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publicado por pimentaeouro às 20:51
Quarta-feira, 01 DE Janeiro DE 2014

Vento

 

 

Escrevo para o vento e o vento tudo leva para lado nenhum. Um dia, não distante, o vento também me levará.

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publicado por pimentaeouro às 13:53
Sábado, 21 DE Dezembro DE 2013

Partida de xadrez

 

 

Por acordo entre os dois jogadores uma partida de xadrez pode ser adiada, mas o normal é começar e acabar o jogo com a derrota de um deles ou um empate.

A minha partida com Ela já esteve perdida por duas vezes e por duas vezes não quis dar-me xeque-mate. Porque motivos não o fez ainda hoje não sei: simplesmente não lhe deve ter apetecido, não tem pressa de ganhar.

 Agora suspendemos a partida, por gentileza d’Ela. Estamos num final de peões. Rainhas, torres, bispos, cavalos e vários peões, de ambos os lados, já estão fora de jogo. O relógio que marca, alternadamente, o tempo gasto por cada jogador, diz-me que falta pouco tempo para a partida terminar.

Joga sempre com as pretas (uma vantagem que dá a todos os adversários) e nunca ninguém lhe ganhou, nem jamais, poderá ganhar. É uma vencedora absoluta e é uma lei da vida, perder com Ela.

O que me resta neste final de peões? Jogar o melhor que sei e posso… e abandonar o jogo antes d’Ela dar o xeque-mate.

 

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publicado por pimentaeouro às 11:44
Terça-feira, 29 DE Outubro DE 2013

Pensar

 

 


Quando era adolescente queimava as pestanas e horas infindaveis ,em frente de um tabuleiro, a jogar xadrez com um parceiro, não com uma máquina que é outras coisa difrente.

O jogo do xadrez exige concentração, abstração, fantasia, capacidade de controlar as emoções, etc.

O xadrez ensinou-me a pensar, um bem que é precioso mas escasso.

Jovens e adultos, em qualquer idade, deviam «perder tempo» a jogar xadrez.

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publicado por pimentaeouro às 22:32
Segunda-feira, 07 DE Outubro DE 2013

Espelho

 

 



Olho para o espelho e não conheço a imagem que me devolve. Um velho acabado, uma sombra do homem que fui, apenas uma marca ficou, o olhar triste.

A minha vida foi irrelevante como é a vida da grande maioria das pessoas, a passagem dos anos apaga tudo e outros personagem irão desempenhar o mesmo papel insignificante de meros actores de um filme em que não participam.

Os meus dramas, as minhas dores, as minhas alegrias, os afectos que senti, os amore e desamores, tudo vai sendo  apagado pelo tempo.

Não morremos quando a nossa memória se apaga, morremos também quando a nossa recordação se apaga na memória dos outros.

Um circulo muito restrito de pessoas ainda se lembra de mim mas dentro em breve também  deixarão de recordar-me.

O espelho tem razão, já não existo.

publicado por pimentaeouro às 21:33
Sexta-feira, 19 DE Julho DE 2013

Envelhecendo #2

 

 


Completei hoje 78 anos de vida, vida mal e bem vivida, ou perto disso. O corpo humano não está programado para chegar a estas idades, é contra natura.

Há poucos séculos a esperança média de vida rondava os 40 anos e daí para cima havia poucas  excepções .

Ao longo destes 78 a minha história de vida poderia, por tres vezes, ter percursos diferentes, poderia ter vivido de forma completamente diferente, nestas encruzilhadas, o acaso decidio mais do que o meu livre-arbitrio: já aconteceu tudo, nada pode ser mudado mas a memória desses acontecimentos e das pessoas em que o rumo da minha vida poderia ter mudado está viva.

Acontece que hoje vivemos mais em condições que nem sempre são as melhores: as diversas  «peças» que compõem o corpo tem relógios biológicos com idades diferentes, umas envelhecem mais cedo do que outras e começam a colapsar. A degradação de uma «peça» pode afectar o funcionamento de outras e assim a máquina vai progressivamente desafinando até ao colapso final.

Cheguei aqui com alguma perplexidade ( viver também cansa) e sei que estou a entrar na zona vermelha das doenças da senilidade. As doenças físicas limitam a mobilidade e aumentam as dependências, as doenças mentais, principalmente a memória e a consciência aumentam o vasio da vida e a falta de sentido para continuar.

Há quatro anos apareceu-me a nevralgia do triogémio, cujas dores são pavarosas. Durante três 

anos e meio a nevralgia esteve controlada com a Hidantina, mas em Novembro do ano passado reapareceu. Foi acrescentado novo fármaco, a Gabatentina, mas as dores reapareceram há duas semanas.

Fiquei a saber que o aparecimento de novas crises é incontrolável e que a donça pode reaparecer. É uma doença neurológica que me preocupa seriamente.

Hoje sou uma sombra de mim, a sombra de um homem que já não existe e nunca na minha vida senti tanta solidão como agora.


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publicado por pimentaeouro às 22:39
Sexta-feira, 28 DE Junho DE 2013

Partia de xadrez #2

 

A medicina dá-nos mais anos de vida e empurra a morte para traz. Ela vinga-se e deixa o terreno armadilhado, o suplemento de vida é com menos qualidade.

publicado por pimentaeouro às 23:47
Terça-feira, 04 DE Junho DE 2013

Xadrez



Nunca imaginei que escreveria este texto mas a vida é imprevisível e arranja sempre maneira de nos surpreender.

O assunto nem sequer é desconhecido, milhares e milhares de pessoas conhecem-no. Os casais a partir dos 60 ou 65 anos quando a doença começa a instalar-se em casa e contempla os dois, mais dia menos dia têm uma opção em mente, ou confidenciam um ao outro: quem morrerá primeiro, eu ou ele? Ele ou ela?

Depois vem a segunda opção, eu quer morrer primeiro do que ele. Eu quer morrer primeiro do que ela. Não podem decidir, quem comamda é o capricho e a arbitrariedade da morte.

O que está no subconsciente de ambos é que nenhum deseja enfrentar a solidão e o vazio da ausência do outro.

É a solidão sem companhia, diferente da solidão que temos acompanhados.

Estou confrontado com este dilema e sempre pensei - sem confessar - que queria morrer primeiro do que a minha mulher. É egoísmo? Talvez, mas não sou melhor nem pior do que qualquer outro.

Mas a vida troca sempre as voltas ou que imaginamos ou desejamos e pode acontecer que a minha mulher morra primeiro do que eu. Brevemente, saberei mais sobre esta hipótese.

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publicado por pimentaeouro às 22:56

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