Xadrez



Nunca imaginei que escreveria este texto mas a vida é imprevisível e arranja sempre maneira de nos surpreender.

O assunto nem sequer é desconhecido, milhares e milhares de pessoas conhecem-no. Os casais a partir dos 60 ou 65 anos quando a doença começa a instalar-se em casa e contempla os dois, mais dia menos dia têm uma opção em mente, ou confidenciam um ao outro: quem morrerá primeiro, eu ou ele? Ele ou ela?

Depois vem a segunda opção, eu quer morrer primeiro do que ele. Eu quer morrer primeiro do que ela. Não podem decidir, quem comamda é o capricho e a arbitrariedade da morte.

O que está no subconsciente de ambos é que nenhum deseja enfrentar a solidão e o vazio da ausência do outro.

É a solidão sem companhia, diferente da solidão que temos acompanhados.

Estou confrontado com este dilema e sempre pensei - sem confessar - que queria morrer primeiro do que a minha mulher. É egoísmo? Talvez, mas não sou melhor nem pior do que qualquer outro.

Mas a vida troca sempre as voltas ou que imaginamos ou desejamos e pode acontecer que a minha mulher morra primeiro do que eu. Brevemente, saberei mais sobre esta hipótese.

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publicado por pimentaeouro às 22:56