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Quinta-feira, 31 DE Janeiro DE 2013

Contagem descrescente

No dia 6 de Fevereiro tenho consulta no Instituto Gama Pinto para exame da degeneração da mácula nos dois olhos.

A degeneração da mácula diminui a visão e, nos casos extremos, pode levar á cegueira.

Aguardo.

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publicado por pimentaeouro às 23:49
Segunda-feira, 28 DE Janeiro DE 2013

Vida tão estranha

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publicado por pimentaeouro às 23:41
Sábado, 26 DE Janeiro DE 2013

Volta

 

Porque me refugio na ilusão de te ver como se ambos tivessemos 20 anos?

É a fuga à realidade que me rodeia.

 

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publicado por pimentaeouro às 21:03
Quinta-feira, 24 DE Janeiro DE 2013

Corrida de obstáculos


A prostatectomia radical é uma corrida de obstáculos com três fantasmas ao lado; a impotência sexual, a incontinência urinária e ficar «limpo». Só aparentemente a impotência sexual é o maior fantasma. Ficar com células cancerígenas e a incontinência urinária são  piores do que a impotência sexual.

Pode parecer estranho mas é assim que as coisas se passam, na maior parte dos casos. O cancro da próstata está para homem como o cancro da mama está para a mulher, aproximadamente.

O primeiro mutila por dentro, com perdas que podem ser irreversíveis, sem marcas exteriores, o segundo mutila por fora com as marcas e tramas psicológicos que são conhecidas.

O tiro de partida foi dado pela biopsia: “fragmentos de tecido prostático com infiltração por adenocarcinoma SOE, score 7 (4+3) de Gleason modificado, com várias imagens de invasão plurineural, etc., etc., etc.”, numa linguagem menos técnica neoplasia maligna.

O marcador Gleason tem uma escala de 1 a 10 e está relacionado com a esperança de vida pós cirurgia, como tenho 7 não é brilhante, mas adiante.

Com o tiro de partida surge a primeira de muitas angústias. Quando serei operado? Devia ser já amanhã, um problema cuja solução não é fácil.

Pós operação (Maio de 2.005), as angustias aumentam: é uma solidão que nenhuma companhia diminui. Estou frágil, entubado e entregue a contingências sobre as quais não tenho qualquer controlo: só frente ao imprevisto ameaçador.

A corrida com os três fantasmas. Fui difícil ultrapassar o fantasma da incontinência urinária, principalmente, durante a fase de exercícios com uma bola entre as coxas para reactivar os músculos da bexiga. Este foi vencido e deixei de usar o saquinho atado à perna direita. O fantasma da impotência sexual também foi parcialmente derrotado, mas o fantasma das células cancerígenas venceu a corrida.

Seguem-se exames trimestrais ao PSA e respectivas consultas, durante o primeiro ano e semestrais no segundo ano. Cedo, ainda no primeiro ano, o PSA começou a registar valores, que foram progressivamente aumentando até que em Janeiro de 2.008 surgiu a sentença: recidiva bioquímica (quantidade das células cancerígenas a circular no sangue).

A terapia prescrita foi  sessões de radioterapia. Nova bateria de exames, incluindo mais uma cintigrafia, que é um bombardeamento de rádio em todo o corpo. Cheguei a ter marcado na barriga e na pélvis a «zona alvo externa» a «bombardear» e a primeira sessão de rádio marcada.

Duas campainhas de alarme soaram na minha cabeça: a explicação do cirurgião que me operou não foi convincente e as duas consultas, em Santa Maria, com a médica radioterapeuta aumentaram as minhas dúvidas.

Numa consulta de rotina com o médico família, Dr. Fernando Fraga, a quem eu e a minha mulher devemos a prestação de dedicados serviços médicos e até  uma relação de amizade, fui alertado: “ouça outras opiniões porque a radioterapia pós prostatectomia tem uma taxa de insucesso elevada e essa taxa de insucesso traduz-se em incontinência urinária e fecal.

Dois cirurgiões confirmaram este aviso salvador e telefonei para o hospital a desmarcar as sessões de rádio.

Decidi-me a contar esta história porque a terapia de rádio, pós prostatectomia, continua a ser utiliza e gera um número exagerado de mutilações graves: a alternativa de antiandrogénios também tem problemas, mas são menos graves.

 O meu problema agora é o tratamento alternativo da recidiva bioquímica. É um tratamento para o resto da vida.

Com a operação elimina-se o órgão afectado, mas não se elimina o cancro da cabeça…

Se este post servir de alívio para alguém, vale a pena.

 

 

  

 

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publicado por pimentaeouro às 09:13
Sexta-feira, 04 DE Janeiro DE 2013

Memória ou as memórias


Habitualmente usamos a palavra memória mas na verdade existem vários tipos de memória e situadas em zonas diferentes do cérebro.

Já referi várias vezes que sou um «doente» da memória, provavelmente por causa de uma operação que fiz quando era criança seguida uma amnésia aos 8 ou 9 anos.

A partir daqui, a Vida disse-me: vai, vai para onde quiseres mas só terás metade da memória.

 As minhas memórias autobiografia e de longa duração tem grandes lacunas, pedaços de vida que a natureza me roubou e contra isto nada ou muito pouco posso fazer, só a ajuda de outros me poderá levar a recuperar o que a natureza me roubou: não é fácil para mim lidar com esta limitação.

Provavelmente não terá nenhuma influência, mas a hipótese de ter, ou vir a ter, a doença de Alzheimer é coisa que admito.

Há certas profissões que desenvolvem extraordinariamente a memória: músicos, actores, xadrezistas, etc. E também há indivíduos dotados de memória extraordinária, tudo coisas que a ciência ainda não explica.

A mesma natureza resolveu dar-me uma compensação, a minha memória semântica (aquela que nos dá uma visão geral da vida e do mundo) não é má de todo.

Pensando melhor, perceber como vai o mundo, nos dias de hoje, não será mais um castigo? Tudo isto deve ser a cobrança dos meus erros e pecados pois agora só me apetece estar sossegado e ver «a banda passar».  Chegou a vez da nova geração entrar em cena.

 

 

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publicado por pimentaeouro às 20:00

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