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Terça-feira, 04 DE Junho DE 2013

Xadrez



Nunca imaginei que escreveria este texto mas a vida é imprevisível e arranja sempre maneira de nos surpreender.

O assunto nem sequer é desconhecido, milhares e milhares de pessoas conhecem-no. Os casais a partir dos 60 ou 65 anos quando a doença começa a instalar-se em casa e contempla os dois, mais dia menos dia têm uma opção em mente, ou confidenciam um ao outro: quem morrerá primeiro, eu ou ele? Ele ou ela?

Depois vem a segunda opção, eu quer morrer primeiro do que ele. Eu quer morrer primeiro do que ela. Não podem decidir, quem comamda é o capricho e a arbitrariedade da morte.

O que está no subconsciente de ambos é que nenhum deseja enfrentar a solidão e o vazio da ausência do outro.

É a solidão sem companhia, diferente da solidão que temos acompanhados.

Estou confrontado com este dilema e sempre pensei - sem confessar - que queria morrer primeiro do que a minha mulher. É egoísmo? Talvez, mas não sou melhor nem pior do que qualquer outro.

Mas a vida troca sempre as voltas ou que imaginamos ou desejamos e pode acontecer que a minha mulher morra primeiro do que eu. Brevemente, saberei mais sobre esta hipótese.

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publicado por pimentaeouro às 22:56
Terça-feira, 04 DE Junho DE 2013

Dia triste

  

 

Hoje estou triste, uma tristeza funda e antiga. Quando estou triste refugio-me em Torres Novas, num tempo que já não existe há muitos anos. Passeio pela pérgula do jardim e lembro o passado distante.

Vejo-te sorridente, com a alegria de viver no brilho dos teus olhos, bonita e elegante; a tua beleza não é imaginada, eras muito bonita. Recordo um passeio que demos, numa tarde de primavera, com duas ou três amigas tuas, ainda não namorávamos. Uma delas insinuou-se interessada em mim mas eu já te tinha escolhido e tu escolheste-me também.

Talvez te tenha pedido namoro no final desse passeio, não tenho a certeza. Lembro os beijos escondidos que trocamos, mel parco que a vida não voltou a dar-me, os beijos únicos do primeiro amor. Lembro-me dos quilómetros que percorria de noite para ir ao teu encontro, para um namoro ingénuo e puro: lembro-me de estar junto de ti, perto do teu corpo esbelto e nunca te ter faltado ao respeito. Namoros que hoje não existem. 

Namoro que teve um final triste que não merecíamos. Porque aconteceu um desencontro tão estúpido, Fernanda? Sinto-me culpado de ter sido tão inábil.

Dirijo-me para ti, para a imagem que só existe na minha imaginação, mas desapareces-te e volto para traz. Continuo a caminhar pela pérgula, para trás e para a frente, sem sentido, sinto emoções contraditórias que não consigo descrever.

O Sol começa a desaparecer no horizonte e outras recordações apoderam-se de mim.

Agora vejo a imagem da Julieta, sentada à minha espera. É outra história triste que terei de contar: não me faltam dias tristes.

Preciso de descansar.

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publicado por pimentaeouro às 09:16

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